Você percebe que está amadurencendo (envelhecendo) quando...
- é mais fácil observar padrões de comportamento de acordo com cada situação (o olhar cabisbaixo de timidez quando se gosta de alguém; o copo de bebida que pode significar relaxamento, alegria, tristeza ou escapismo; a mistura de contrariedade, inveja e admiração entre duas pessoas de personalidades diferentes; o interesse casual que se torna envolvimento sério...);
- começa a rir instintivamente de alguma desgraça (inclusive a própria) não por falta de caráter ou compaixão, mas pelo hábito do humor negro como ferramenta inevitável e prazerosa da vida;
- é mais difícil se deixar levar pelos instintos do que pela razão quando se tem que fazer uma escolha;
- reconhece que o ser humano é complexo demais para ser padronizado, mas não há como não tentar entender o seu comportamento (afinal, fazemos parte dessa raça);
- entende cada vez melhor Augusto dos Anjos: "a mão que afaga é a mesma que apedreja".
E você percebe que ainda está aprendendo (vivendo) quando...
- vê situações em que toda a sua experiência e análises anteriores não ajudam, seja por ser algo inédito, seja por ser intenso demais para se manter sereno (a timidez quando resolve olhar nos olhos; o silêncio que diz tanta coisa que não se pode entender tudo; a bebida que não é engolida, mas não escapa do olhar de quem segura o copo...);
- ri de algo estúpido (o que inclui a si mesmo) não por ser inevitável, mas por ter sido natural;
- toma uma decisão sem ter se dado conta dela para pensar qual era o caminho mais racional. Quando viu, já foi. Arrependa-se ou regojize-se depois;
- reconhece muitas vezes que o ser humano é muito simples em alguns aspectos, mas é difícil aceitar que seja tão fácil entender isso porque, queiramos ou não, achamos mais graça da nossa raça justamente pela ignorância que se tem e se alimenta dela;
- entende e respeita o original de Augusto dos Anjos, mas não se sente mal (às vezes) em trocar certas palavras: a boca que escarra é a mesma que te beija.